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Desde: 08/09/2003      Publicadas: 52      Atualização: 11/10/2005

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 Boletim do Kaos!

  08/03/2005
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A Verdade Sobre os Rodeios

Os rodeios tiveram origem nos EUA, por volta do século XIX. Aqui no Brasil, diferentemente do que dito por muitos, essa prática não tem nada de cultural, tratando-se de uma cópia do modelo norte-americano, já que os primeiros bovinos criados por aqui eram da raça caracu, que são animais pesados e com enormes "guampas", sendo impossível sua utilização em rodeios.

A Verdade Sobre os Rodeios Apesar da origem norte-americana, até mesmo por lá esta prática também não tem sido considerada cultural, havendo inclusive cerca de 15 cidades que já proíbem essas práticas em seu território, entre elas Fort Wayne, em Indiana e Pasadena, na Califórnia.



Os animais utilizados nas práticas de rodeios sofrem flagrantes maus-tratos, podendo-se rebater facilmente qualquer argumentação contrária, tendo-se em vista que existem diversos laudos oficiais atestando o sofrimento e maus-tratos aos animais utilizados em variadas práticas, destacando-se os laudos emitidos pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e do Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro.



Laudos em sentido contrário também existem, porém em número totalmente inferior, e emitidos por universidades que promovem o rodeio universitário, e com a realização de "testes" totalmente duvidosos, como por exemplo a coleta de sêmen de animais que não haviam utilizado sedém ou então apenas envolvimento do sedém no animal, porém sem a compressão que necessariamente devem fazer para o animal corcovear.



Além desses poucos laudos inidôneos, temos ainda as argumentações dos organizadores de rodeios, as quais rebatemos brevemente a seguir:



- Sedém não causa dor, apenas cócegas: o sedém, ao comprimir a região dos vazios do animal, provoca dor, porque nessa região existem órgãos como parte dos intestinos, bem como a região do prepúcio, onde se aloja o pênis do animal. Portanto, o ato do animal corcovear é a comprovação de sua dor e estresse, fazendo com que instintivamente tente se livrar de todos os apetrechos que lhes colocam;



- O animal trabalha apenas por 8 segundos: 8 segundos é o tempo que o peão deve permanecer no dorso do animal, porém deve-se lembrar que o sedém e colocado e comprimido tempos antes do animal ser colocado na arena (ainda no brete) e também tempos depois da montaria. Além disso, há declarações de peões de que treinam de 6 a 8 horas diárias, portanto, todo este tempo o animal estará sendo maltratado.





Ferramentas

Agulhadas elétricas, um pedaço de madeira afiado, ungüentos cáusticos e outros dispositivos de tortura são usados para irritar e enfurecer os animais usados nos rodeios, com o objetivo de mostrar um "bom show" para a multidão.



Sedém ou Sedenho

É um artefato de couro ou crina que é amarrado na região dos vazios do animal e que é puxado com força no momento em que o animal sai à arena. O resultado é a compressão dos canais que ligam os rins a bexiga. O prepúcio, o pênis e o escroto são também comprimidos, o que faz o animal saltar desesperado, procurando se libertar do incomodo e da dor. Além do estímulo doloroso pode também provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas, viscerais e internas e dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais fatores, pode-se evoluir até o óbito.



Objetos Pontiagudos

Pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal.



Choques Elétricos e Mecânicos

Aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena, para enfurecê-los.



Esporas

São aplicados pelo peão tanto na região do baixo-ventre do animal, na cabeça e em seu pescoço, provocando lesões e perfuração do globo ocular. Tanto as pontiagudas quanto as rombas (não pontiagudas) causam ferimentos nos animais, tendo-se em vista que são usadas para golpear o animal, de forma intermitente, e, portanto, há o mau uso do apetrecho.



Terebentina, Pimenta e Outras Substâncias Abrasivas

São introduzidas no corpo do animal através do ânus.



Peiteira e Sino

Consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo, logo atrás da axila, causando-lhes lesões e muita dor. O sino pendurado na peiteira, constitui-se em mais um fator estressante pelo barulho que produz à medida em que o animal pula.



Golpes e Marretadas

Na cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam produzir convulsões no animal e são o método mais usado quando o animal já está velho ou cansado. Esses recursos que fazem o animal saltar descontroladamente, atingindo altura não condizente com sua estrutura, resultam em fratura de perna, pescoço e coluna, distensões, contusões, quedas etc..





Modalidades

A seguir as modalidades segundo a Federação Nacional de Rodeio Completo:



Laçada de Bezerro (Calf Roping)

Animal de apenas 40 dias é perseguido em velocidade pelo cavaleiro, sendo laçado e derrubado ao chão. Ocorre ruptura na medula espinhal, ocasionando morte instantânea. Alguns ficam paralíticos ou sofrem rompimento parcial ou total da traquéia. O resultado de ser atirado violentamente para o chão tem causado a ruptura de diversos órgãos internos levando o animal a uma morte lenta e dolorosa.



Laço em Dupla (Team Roping)

Dois cowboys saem em disparada, sendo que um deve laçar a cabeça do animal, e o outro as pernas traseiras. Em seguida os peões esticam o boi entre si, resultando em ligamentos e tendões distendidos, além de músculos machucados.



Bulldogging

Dois cavaleiros, em velocidade, ladeiam o animal que é derrubado por um deles, segurando pelos chifres e torcendo seu pescoço.



Bareback

Montaria em cavalo, em que o peão se coloca em posição quase horizontal, devendo "marcar o animal" logo no primeiro pulo, posicionando as duas esporas no pescoço do cavalo.



Sela Americana (Saddle Bronc)

Montaria em cavalo em que é preciso "marcar o animal" posicionando-se as esporas no pescoço do animal logo no primeiro pulo e no segundo pulo o peão deve puxar as esporas seguindo uma angulação que sai da paleta, passa pela barriga e chega até o final da sela, na traseira do cavalo. Quanto maior a angulação, maior a nota.



Cutiano

Montaria em cavalo, em que o peão fica apoiado unicamente em duas cordas que são amarradas à peiteira, fazendo com que o animal sofra ainda mais a compressão causada por esse instrumento. No primeiro pulo, o peão posiciona as esporas entre o pescoço e a paleta. A partir do segundo pulo, as esporas devem ser puxadas em direção à cava da paleta. Quanto mais esporeadas forem dadas, maiores as chances de se conquistar notas altas.



Bull Riding

Montaria em touro. O animal é esporeado, especialmente na região do baixo-ventre.





Outras Informações

Depoimento:

Segundo a Dra. Irvênia Prada, que foi por muitos anos Professora Titular da Faculdade de Medicina da USP e tendo mais de uma centenas de trabalhos publicados em Anatomia Animal, ao observar as fotos dos animais em plena atividade no rodeio declarou: "os olhos dos animais mostram uma grande área arredondada, luminosa, conseqüente à dilatação de sua pupila. Na presença de luz, a pupila tende a diminuir de diâmetro (miose). Ao contrário, a dilatação da pupila (midríase) acontece na diminuição ou ausência de luz, na vigência de processo doloroso intenso e na vivência de fortes emoções (medo, pânico..) e que acompanham situações de perigo iminente, caracterizando a chamada Síndrome de Emergência de Canon. No ambiente da arena de rodeio, o esperado seria que os animais estivessem em miose, pela presença de luz. Assim, a midríase que exibem é altamente indicativa de que estejam na vigência da citada Síndrome de Emergência, o que caracteriza o sofrimento mental."




- Não Existe Rodeio Sem Crueldade:

Os abusos e maus-tratos praticados contra os animais são confirmados através de material escrito (pareceres técnicos, decisões judiciais), fotografados e filmados (DVDs).





- Nenhum Animal Salta e Corcoveia Sem o Uso do Sedém:

Se o animal apresenta esse comportamento independentemente do uso de qualquer instrumento é porque rejeita a montaria, sendo forçado a ser montado seguidamente nas condições adversas que ocorrem nos rodeios, com muita luz, gritos do público, som altíssimo e explosão de fogos de artifício, constituindo-se, no mínimo, em abuso, o que também é considerado crime. Posto que a crueldade contra os animais inserida nas práticas de rodeio é inerente à prática dos rodeios fica evidente que os rodeios são ilegais. A crueldade é proibida pela nossa legislação, incluindo a própria Constituição Federal.





- Fazendo Frente ao Mito:

Num estudo conduzido pela Humane Society of the United States, dois cavalos conhecidos pelos seus temperamentos gentis foram submetidos ao uso da cinta no flanco. Ambos pularam dando coices até a cinta sair. Então vários cavalos do circuito de rodeio foram liberados dos currais sem a cinta no flanco e não pularam nem deram coices, mostrando que o comportamento selvagem e frenético dos animais é induzido pelos cowboys e promotores dos rodeios.




- O Fim da Trilha:

O médico veterinário Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne, trabalhou em matadouros e viu vários animais descartados de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como "tão machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de bezerros." (1)



Os promotores de rodeio argumentam que precisam tratar seus animais bem para que eles sejam saudáveis e possam ser usados. Mas esta afirmativa é desmentida por uma declaração do Dr. T.K. Hardy, um veterinário e às vezes laçador de bezerros, feita à revista Newsweek: "Eu mantenho 30 cabeças de gado para prática, a U0 por cabeça. Você pode aleijar três ou quatro numa tarde... É um hobby bem caro." (2) Infelizmente existe um fornecimento constante de animais descartados à disposição dos promotores de rodeios os quais tiveram seus próprios animais esgotados ou irremediavelmente feridos. Conforme o Dr. Harber documentou,os circuitos de rodeio são apenas um desvio na estrada dos matadouros.




- Escolhas e Oportunidades:

Embora os cowboys de rodeio voluntariamente arrisquem-se a sofrer injúrias nos eventos em que participam, os animais que eles usam não têm esta escolha. Em 1986, no rodeio de Calgary em Alberta no Canadá, um dos maiores rodeios da América do Norte, oito cavalos foram mortos ou fatalmente feridos num acidente numa corrida de carroças. Pelo fato da velocidade ser importante em vários rodeios, o risco de acidentes é alto. Bezerros laçados quando estão correndo a mais de 27 milhas por hora, têm seus pescoços tracionados para trás pelo laço, geralmente resultando em injúrias no pescoço e costas,contusões, ossos quebrados e hemorragias internas.



Bezerros ficam paralíticos devido à lesão de coluna vertebral ou suas traquéias ficam parcialmente ou totalmente machucadas.(3) Bezerros são usados apenas em um rodeio antes de voltarem ao rancho ou serem sacrificados devido aos ferimentos.(4)



Os cavalos dos rodeios geralmente desenvolvem problemas de coluna devido aos repetidos golpes que sofrem. Devido ao fato de cavalos não ficarem normalmente pulando para cima e para baixo,existe também o risco de lesão das patas quando o tendão se rompe.



As regras da associação de rodeios não são eficazes na prevenção de lesões e não são cobradas com rigor, nem as multas são severas o bastante para evitar maus tratos. Por exemplo, se um bezerro é ferido num torneio, a única punição é que o laçador não poderá laçar outro animal naquele dia. Se o laçador arrastar o bezerro, ele poderá ser desclassificado. Não há regras protegendo os animais durante as provas e não há nenhum observador objetivo ou exames requisitados para determinar se um animal foi ferido num evento.(6)



1.Human Society of the United States, interview with C.G. Haber, DVM (Rossburg, Ohio),1979
2."Rodeo :American Tragedy or Legalized Cruelty?" The Animals Agenda, March 1990

3.Dr. E.J. Finocchio, DVM, Letter to Rhode Island State Legislature. Feb. 28, 1989
4."Rodeo Critics Call It "Legalized Cruelty", San Francisco Chronicle, June 25, 1981
5.Lipsher, Steve, "Veterinarian Calls Rodeos Brutal to Stock" Denver Post, Jan 20, 1991
6.Schmitz, Jon "Council Bucks Masloff"s Veto On Rodeo Bill" Pittsburgh Press, Nov27, 1990



Fonte Suipa





Subsídios Legais

A nossa Constituição Federal, no seu Art. 225, parágrafo 1º, art. VII, impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de "proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade".



O Decreto Federal nº24.645/34, que tem força de lei e que vigora até os dias atuais, estabelece medidas de proteção aos animais e, entre numerosos Artigos proibitivos de maus tratos, estabelece: Art. 1º: "Todos os animais

existentes no país são tutelados do Estado". ... Art. 2º-parágrafo 3º: "Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais e pelos membros das Sociedades protetoras de animais".



Lei dos Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/98), no seu Art. 32, tipifica como CRIME "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos"...



A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, publicada em assembléia da UNESCO, em Bruxelas, 1978, no seu Art.10º preconiza: "Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os

espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal".





Proibição dos Rodeios

Devido a tudo o que de ilegal envolve a realização dos rodeios, eles têm sido proibidos através de leis ou de decisões judiciais, em muitos municípios, como o de São Paulo (Lei municipal 11.359/17-05-93, que proíbe a realização de rodeios, touradas e eventos similares) e Rio de Janeiro (Lei municipal 3.875/20-12-04, que proíbe a realização de rodeios, touradas e eventos similares).



Em São Paulo, principal estado onde acontecem esses eventos, a proibição total ocorreu em vários municípios e Comarcas (em alguns casos a decisão judicial não impede o rodeio, mas sim o uso de instrumentos, o que torna o espetáculo inviável). A exemplo, podemos citar os seguintes municípios:



Proibição por lei:

- Rio de Janeiro

- São Paulo

- Sorocaba

- Guarulhos

- Jundiaí.

- Mogí das Cruzes (a lei foi aprovada recentemente, está ainda aguardando sanção).



Proibição por decisões judiciais:

- Ribeirão Preto

- Ribeirão Bonito

- Itu

- São Pedro

- Bauru

- Arealva

- Avaí

- Itupeva

- Cabreuva

- Américo Brasiliense

- Rincão

- Santa Lúcia

- Boa Esperança do Sul

- Cravinhos



Há numerosas ações em andamento, algumas já com decisão de primeiro grau, mas ainda em tramitação.





O Que Fazer

Se você souber que se realizará rodeio em sua cidade, envie uma carta ou abaixo-assinado à prefeitura e à Secretaria do Meio Ambiente. Mande carta ao jornal local manifestando a sua indignação.



Maltratar animais é crime, nos termos da Lei de Crimes Ambientais ( www.pea.org.br/leis/textos/crimes_ambientais.htm ), bem como qualquer forma de crueldade com os animais é vedada por nossa Constituição Federal, e, portanto, qualquer permissão às atividades de rodeios é inconstitucional.

  Web site: www.pea.org.br/crueldade/rodeios/index.htm  Autor:   PEA


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